domingo, 29 de maio de 2016

Uma tarde de outono

O strogonoff ficou bom. Bonito, saboroso, cheiroso e consistente. Fácil de preparar no pequeno fogão de duas bocas, com a vantagem, depois, de quase nada para lavar.

Valorização do tempo. Não que tivesse outra coisa para fazer, mas expressão de inconformismo diante do que ainda é resquício de dever: o de alimentar-se.

Gosto de cozinhar, mas apenas o suficiente para o preparo - e para mim - de algo que em nada se assemelhe a ração, como a que servimos aos gatos, cães e pássaros em horários regulares, composta de nutrientes cuidadosamente balanceados e sob a supervisão profissional de algum nutricionista. Não faz sentido ir para a mesa como se fosse uma fatalidade. Às vezes penso em comprar um forno microondas.

Com o passar do tempo reduz a intensidade dos sentidos. Reduzem os apetites todos que se formam e se manifestam por meio dos sentidos. É um destino. O paladar, o olfato, a visão, a audição e até o tato, mas não a percepção, o entendimento, a cognição e a afetividade.

Continua preservado o universo inesgotável de alguns recursos interiores, e que na juventude foram negligenciados em virtude da primazia dos sentidos, da vida regrada pelo sensualismo. Não brotam e nem se desenvolvem apenas pela passagem do tempo. O tempo não agrega nada, não produz nada que não seja o desgaste de tudo a ele exposto, incluindo os corpos. Como os demais recursos brutos ficam a espera de quem se disponha a cultiva-los, dar-lhes forma e aprimorar conteúdos.

O corpo envelhece. Não a pessoa.

A vida biológica é como uma pilha, como uma bateria que aos poucos vai perdendo energia. Até o poder regenerativo do organismo diminui, e os remédios tardam a produzir efeitos. Isso é verdadeiro no plano da vida física, mas não necessariamente no da vida intelectual e afetiva. A energia intelectual e afetiva não passa pelas mesmas vicissitudes da energia física. Não que independa do corpo, pois na mesma unidade de natureza, e tampouco paralela a ele, mas regida por outros princípios. Uma afirmação intuitiva, pois até hoje essas presumidas energias são desconhecidas pelos homens e mulheres das ciências. Seja o que for, entretanto, o trabalho intelectual, como o trabalho físico, depende da vontade, do querer, e da dedicação.  É um trabalho.

Meu primeiro contato com o próprio envelhecimento deu-se em episódio único, e pelo corpo.

Um ônibus estava por sair do ponto, e eu tinha certeza que havia condição de alcançar a porta se corresse um pouco. Pois bem: o correr que parecia fácil para a mente não se fez acompanhar das mesmas facilidades pelas pernas, pelo corpo. Eu parecia estar correndo, mas não estava. Como as pessoas que, em faixas para pedestres, aparentam apressar os passos antes do fechamento do sinal, mas apenas por mímicas do apressamento, uma vez que, no ganho de distância, a velocidade seja a mesma do caminhar lento.

Foi horrível descobrir que eu não tinha sobre o corpo o poder que imaginava ter, pois antes tinha, sempre tive.

Foi mais fácil racionalizar, e concluir que essa cena lamentável iria não mais se repetir se abandonasse a vida sedentária e passasse a exercitar os músculos. Academia, esteira e caminhadas. Melhorou até mesmo o estado geral, não nego, mas nada voltou ao patamar de alguns anos atrás, mesmo com todo o sedentarismo. Afinal, não sou atleta, nunca fui e tampouco gosto de esforço físico.

Gostava de velejar, mas atividade irregular e que ficou no passado. Disso resultou algum conhecimento de náutica, de navegação, e a lembrança do vento com cheiro de maresia, do barulho suave do atrito do casco ao deslizar sobre as águas, da emoção de escalar uma vaga e da sensação aventureira quando de aproximação de uma ilha desconhecia. Não é diferente da memória afetiva de andar de bicicleta ou de moto. Nem por isso, entretanto, resta desejo de retorno a essas práticas. Não são esquecidas, pois passível de resgate pela memória sempre que evocadas.

Posso me aventurar pelos mares em um veleiro, se quiser, pois detenho os conhecimentos, mas sei que vou fazer besteiras uma vez não mais tenho a força e nem a rapidez de movimentos necessários para as inúmeras atividades e manobras. Há velhos em condições? Claro que sim, e sorte deles. Ninguém, entretanto, é exemplo para ninguém, e menos ainda de superação. Ridícula a vida regrada por exemplos, e mais ainda quando acrescida do espírito da superação.

Nunca precisei – e creio que ninguém -, de preparo físico para uma corridinha de dez metros para alcançar um ônibus parado, e que não melhorou quase nada depois daquela curta conversão aos preceitos da geração saúde. Eu não tinha mais impulsão, não tinha energia necessária para o arranque. A pilha, a bateria não tinha carga suficiente, e ponto final. Essa correspondência representativa afeta a vida de muitos idosos.

Não sou mais o que era, dizem, e com razão, pois tomam os efeitos dos músculos como referência para dizer de perda de força, de potência, de vitalidade. Nunca dizem o mesmo quando da força, da potência e da vitalidade da vida intelectual e da sensibilidade, de cujos produtos resultaram as maiores revoluções do mundo, e não dos músculos. Isso não lhes ocorre.

O breve episódio com o ônibus foi a minha primeira tomada de consciência da própria velhice. Resignei-me, e dai teve início a decisão de ajustamento à nova condição. Escapar, esquivar, contornar qualquer atividade que dependesse muito do corpo. Embora ele fosse o mesmo, não tinha mais as mesmas qualidades funcionais do passado.

O que eu não podia - e disso tinha e tenho plena ciência - era imaginar e aceitar que a nova condição limitante representasse restrição correspondente em outras dimensões da vida. Ora, poderia em qualquer fase da vida ter perdido as pernas, braços, audição, visão e até mesmo movimentos, e nem por isso estaria condenado a tornar-me um vegetal. O que dizer, então, com limitações sem tamanha severidade? Idoso é isso: um limitado físico, e mesmo assim nem sempre, pois muitos estão ainda inteiros. Que bom para eles.

O segundo episódio tornou-se memorável. Por conta do solado gasto dos sapatos escorreguei em uma calçada molhada e quase fui ao chão. Algumas pessoas correram para acudir, e um jovem disse-me que era um absurdo uma calçada escorregadia, e que o ocorrido não era devido apenas a minha idade. Eu era visto como velho, e nunca tinha pensado nisso. 

Pior ainda nos trens do Metrô, quando jovens passaram a fazer questão que eu ocupasse os assentos reservados preferencialmente aos velhos - hoje chamados de idosos - e a outros portadores de necessidades especiais, como hoje chamam os limitados. Inicialmente eu queria morrer de vergonha. Afinal, como aceitar que uma mulher cedesse lugar para sentar-me? Uma inversão nas regras do cavalheirismo. Depois de vários casos como esse, porém, aceitei o fato de estar verdadeiramente velho. No plano social, é a partir do olhar dos outros que o velho descobre a si como velho.

Eu não mais guardava panelas e louças, e fazia tempo. Afinal, eram poucas e sempre as mesmas, de onde ajustar os cardápios aos recursos, como foi o caso do strogonoff. Uma panela de tamanho médio, uma frigideira larga e funda, um prato, uma colher, uma faca e um garfo que, somados a cafeteira italiana, uma xícara e um copo, e tudo ia, depois da lavagem, para o escorredor sobre a pia, onde a secagem ficava confiada aos cuidados da temperatura ambiente.

- Cada vez mais, menos.

Havia adotado esse princípio desde que passara a morar só.  De uma casa enorme para outra de tamanho médio – dois dormitórios, sala de estar, cozinha conjugada com copa, banheiro e área de serviço. Ainda assim percebi que era espaço em demasia, e coisas em demasia. Dali a migração para um quarto espaçoso que serve para dormir, com lugar para guardar roupas, livros, papéis e câmera fotográfica, e uma mesa para acomodar computador e com sobra para ter onde apoiar um livro e escrever em bloco de notas. Uma cozinha pequena com uma mesa mínima para fazer as refeições, um banheiro pequeno, e uma área de serviço igualmente diminuta. Ainda assim, acho que estaria bem servido com o dormitório espaçoso e um conjugado de cozinha, banheiro e serviço. O suficiente para acomodar tudo, e principalmente minhas necessidades existenciais, que em nada se assemelham a minha cada vez mais reduzida necessidade de consumo. Afinal, não havia tanto Ego para tanto espaço.

Mais espaço e mais acúmulo. Mais acúmulo e mais espaço. Esta é a peregrinação da maioria das pessoas na escalada do consumo. Bem, ao menos foi a minha. Inesquecível o momento de decidir-me pelo enxugamento. O critério foi o da relevância utilitária e afetiva. Momento para perceber que muitas coisas não têm nenhuma relevância. Pior constatar que nunca tiveram. Também nunca tiveram nenhum significado.

Para que serve um aparelho para fatiar ovos cozidos? Descaroçador de azeitonas, ralador de queijos elétrico, e tantas outras utilidades domésticas que nunca tiveram utilidade. Ainda bem que nunca colecionei ferramentas. Por outro lado – e por força de ofício – colecionei livros, muitos livros, e com eles tinha relação identitária. No momento da revisão de um a um, descobri que a imensa maioria não tinha nenhum valor intelectual, técnico e científico, nem mesmo na época que foram adquiridos, mas que foram, mesmo assim, cuidadosamente ajeitados em estantes. Restaram para a mudança apenas aqueles que fizeram época na ciência, na filosofia e na literatura. Poucos e antigos. Não foi um momento agradável, diante do que restou para mudar, pois ficou evidente que investi pouco em minha própria intelectualidade.

Cada um é cada um. Cada vida é uma biografia e, nessa condição, cada pessoa sabe o que guardar e preservar para não perder o vínculo com sua própria história. Fotos, cartas, discos, documentos, joias, bibelôs, roupas, e o que mais tiver valor afetivo. Normalmente o que é único, e que não pode ser reposto.  Muitas vezes cabem em uma mala, ou mesmo em uma gaveta.

Muitos expandem. Quanto mais velhos ficam, mais expandem. Tapetes, vasos, bibelôs, etc. Chegam a ponto de tornar impossível a locomoção pela residência. Mais extremados, e movidos por imensa mesquinharia de alma, acumulam inutilidades: sacos de compras, garrafas plásticas, embalagens de leite, latas de conserva vazias, prendedores de roupa, elásticos, etc. Outros, ainda mais superlativos, guardam tudo em baús trancados com cadeados, e dormem com a chave presa a um colar pendurado ao pescoço.

De modo geral velhos não gostam de mudanças. Gostam que as coisas fiquem como estão. Que seja. Afinal, se em seus próprios espaços, que façam deles e neles o que quiserem. As idiossincrasias não são próprias da velhice, mas nela exacerbam. Afinal, embora não pareça para jovens e adultos, crianças e velhos não são massas homogêneas dotadas de comportamentos padronizados. São indivíduos. Não são como bichos a ponto de serem reduzidos nas categorias de mansos e brabos. São cultos ou ignorantes, sensíveis ou insensíveis, inteligentes ou medíocres, profundos ou superficiais, refinados ou toscos, simpáticos ou antipáticos, tolerantes ou intolerantes, e toda a gama de possibilidades presentes ou ausentes em todos os humanos, e em qualquer idade.

O problema de boa parte dos velhos é que nem mesmo eles reconhecem a si como individualidades, e se diluem no script que para eles está escrito representar. Perdem a altivez, perdem o respeito por eles mesmos, e passivamente aceitam o exílio para o qual a sociedade - mercado, parentes - os condena. Tornam-se, genericamente, os velhos.

Mas nem tudo foi redução em minha vida. Aprendi com a namorada a apreciar e valorizar obras de arte. Como por sorte é pintora, e não escultura, as paredes ganharam uma pequena, mas interessante coleção de quadros. São eles que enobrecem o ambiente, pois nele o que há para admirar.

A janela de meu pequeno apartamento no centro velho de São Paulo é o portal por onde espio o cenário exterior. Observo, mas talvez seja também observado. Afinal, se o encanto da metrópole é ninguém se meter na vida de ninguém, nada impede que olhares circulem pelas paisagens próximas e distantes, onde quase sempre encontram prédios, neles apartamentos, e neles pessoas ocultas. Milhões de vidas, milhões de existências, e uma legião de velhos morando sós, como eu.

No último andar de um prédio próximo vive um idoso. Um apartamento velho em um edifício velho, decadente, mas lá está ele. Todas as manhãs abre a janela, internamente emoldurada por uma cortina velha, com aparência de não receber limpeza faz muito tempo, e fica lá por horas olhando para a rua. Cria alguns pássaros, e pendura as gaiolas perto da janela para que recebam ar, luz e calor.  Não raro aproxima uma gaiola do rosto e assobia para o pássaro, talvez com isso esperando uma resposta. 

Alguns andares abaixo e reside uma idosa. Magrinha, e quase sempre vestindo as mesmas roupas, passa horas em sua máquina de costura que está instalada próxima a janela, certamente aproveitando a luz natural. Parece cantar e talvez esteja com o rádio ligado. Como eu não abandona o cigarrinho sempre a mão.

Mais a frente, em outro prédio, mora uma idosa que está sempre com um gato no colo. Em outro, com sacada, uma idosa cuida de suas plantas. Poda, replanta, rega, aduba com o carinho de uma zelosa jardineira. Como sei que moram sós? Porque estão sempre sós. Não parecem aflitos, inseguros ou deprimidos. Ativos, embora cada qual a seu modo. Há neles uma atitude de independência, de confiança no comando sobre as próprias vidas.

Talvez notem minha presença, possivelmente identificado como o velho que fica até de madrugada a frente de um computador, e que não costuma acordar cedo. Não gosto de acordar cedo. Nunca gostei, e passei a vida driblando esse incômodo, esse desconforto. Venci, ao menos em boa parte do tempo.

Não conheço os velhos que residem no meu prédio. Apenas cruzo com eles no elevador, nos corredores comuns e no hall da portaria. Cumprimentos cordiais na maioria das vezes, e troca de gentilezas entre os que preservam hábitos de antigos padrões de etiqueta. Um morador, entretanto, eu melhor definiria como emblemático. Negro, alto, esbelto, de cabelos e bigodes brancos, passa o dia sentado na poltrona órfã que fica ao lado da portaria. Sempre de terno e gravata, de ombros retos e pernas elegantemente cruzadas, retribui o cumprimento dos que passam com um suave meneio com a cabeça. Não sei seu nome e nunca trocamos palavra, mas compartilhamos gestos de uma mesma aristocracia, digamos assim.

Velhos estão nos pequenos mercados dos quarteirões próximos. Firmes, inteiros, ou com bengalas, são caracterizados por chegarem com suas sacolas ou carrinhos de feira. São seletivos nas compras, adquirem muitos vegetais, comparam preços e são vigilantes com o troco. Essas pessoas e cenas de cotidiano estão por toda parte do lado pobre do centro velho, na região que se convencionou chamar de Cracolândia, em virtude da grande concentração de usuários de crack, cocaína solidificada em cristais, e que consomem dia e noite nas calçadas. Nunca vi entre eles, apelidados de nóias – adaptação popular do termo paranoia –, nenhum velho. Droga relativamente recente, e dizem que de efeito tão devastador que seus usuários não vivem muito. Velhos são conservadores até nisso: preservam vícios de seu tempo de juventude – álcool e tabaco. Nunca bebi, mas até hoje preservo os cigarrinhos, e desde a adolescência. Era moda.

Os moradores dessa região são pessoas de posses limitadas, de onde os hábitos econômicos nas compras e valorização do troco no comércio. Meus vizinhos são migrantes, imigrantes, traficantes nacionais e internacionais, contrabandistas de todas as origens, prostitutas, músicos, artistas plásticos, travestis e pessoas comuns como eu e os velhos dos quais estou falando. Não há caos, pois todos convivem tranquilamente, e cada qual cuidando de sua vida e dos interesses de seus grupos. Os pontos comuns de contatos são os comércios e serviços locais: mercados, cabeleireiros, armarinhos e bares. Eu diria que se assemelha a uma mata nativa, quando comparada aos bairros tidos como elegantes, que mais parecem uma mata reflorestada.

Nunca fui roubado, assaltado ou agredido. Não me exponho de modo a atrair atenções e tampouco circulo a noite. Cuidados, porém, que teria até mesmo se morasse nos Jardins.

Gratificante aqui a diversidade, a convivência dessa imensa diversidade. Prostitutas velhas, literalmente velhas, que fazem ponto no Jardim da Luz, estão ao lado de velhas e respeitáveis senhoras orientais que, voluntariamente, cuidam do jardim que fica ao fundo da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Em suma, a velhice acompanha a pessoa nas mais diversas estratificações da vida econômica e social. Velhos miseráveis, pobres, remediados, ricos e milionários.

Estão aos domingos na Praça da República ganhando o pão com seus quadros e artesanatos. A grande maioria artisticamente medíocre, mas alguns poucos verdadeiros talentos. 

Os mais intelectualizados estão nos sebos à procura de livros raros, e indignados com os preços exorbitantes depois que livreiros aprenderam a diferenciar livros usados de livros antigos. Não desconfiam que um dia eles serão os fornecedores desses mesmos livros, e para esses mesmos livreiros, quando seus corpos saírem de casa para o cemitérios, e no dia seguinte a biblioteca para os sebos, oportunidade para algum herdeiro livrar-se das velharias e ainda ganhar alguns tostões.

Sós ou em pequenos grupos estão nas praças, mas principalmente nas igrejas, possivelmente se preparando para o que entendem como passagem. Quase ninguém se conforma com a ideia de fim, de onde, ocorre-me agora, a fórmula de sucesso das religiões.

Os boêmios nas casas noturnas, e os afortunados de bom gosto nos restaurantes tornados tradicionais pela qualidade de seus pratos e serviços, e abundantes nas ruas limítrofes entre o centro velho preservado e o degradado. Para os velhos, e não apenas para eles, os estímulos das variedades contrastantes de esquina para esquina. Alimentos para a percepção, entendimento, cognição e afetividade.

O strogonoff.

Um luxo para esta agradável tarde de outono, quando a temperatura é amena, e agradavelmente suportada por um leve e aconchegante agasalho de lã.

Luxo não apenas por poder comprar os ingredientes e ter disposição e energia para o preparo, mas pelo prazer de um lento saborear.

Em muitos velhos foram-se também os dentes, de onde o conformismo com sopas, sucos, vitaminas, canjas e papas. Para outros tantos os alimentos fazem parte da caixa dos medicamentos, pois ingerem apenas o que não lhes faz mal ao corpo. Nesses casos, talvez melhor a ração. Não agrada, mas ao menos não frustra.

Melhor cozinhar e digerir ideias e sentimentos, uma vez que essas atividades estão isentas de condicionantes materiais e físicos, e tampouco geram efeitos colaterais. Essa potência toda - é claro - se o vivente não for acometido por demência senil, mas possibilidade a ser desconsiderada. Afinal, poderia ter sido acometido por demência em qualquer momento da vida.

Rogério Centofanti

Fevereiro de 2015